sexta-feira, 6 de julho de 2012

Ag. Pará: Oficina ensina a fazer boi com fibra de miriti





Construir um boi junino com a fibra do miriti – palmeira amazônica usada tradicionalmente na produção artesanal - é o novo desafio que os alunos da oficina “Boi Junino – Esculturas em Miriti” estão aprendendo a superar nas aulas oferecidas pela Fundação Curro Velho (FCV). Cerca de 20 participantes, entre professores, universitários, artista plástico e trabalhadores em geral, participam das atividades, ministradas pelo artista plástico Bruce Macedo.

O professor de Artes, Clésio Nery, contou que procurou a oficina de boi junino por curiosidade. “A cultura do boi junino me atrai, e na minha escola sempre trabalhamos este tema. O trabalho com o miriti despertou minha curiosidade. Aqui também aprendemos papietagem (técnica de colagem com jornais). Estou registrando tudo com fotos e filmagens, e vou levar a experiência para os meus alunos do ensino fundamental”, disse ele.

Jorge Jacó Queiroz decidiu aprender a nova técnica com o miriti para levar o conhecimento para o Boi Junino Estrela da Luada, no município de Maracanã (nordeste do Pará). “Soube da oficina pelo jornal. Minha filha me incentivou a fazer, porque ela tem um boi junino em Maracanã, e vamos fazer a apresentação no dia 28 de junho, quando completamos 10 anos de existência”, informou.

O artista plástico Márcio Silveira pretende ampliar sua experiência com a nova técnica. “Um amigo, artista plástico, que mora no Rio de Janeiro, me informou desta oficina. Ele pretende fazer o mestrado baseado no estudo do miriti. Eu vim aprender para depois repassar pra ele. Estou gostando muito de usar a técnica da tridimensionalidade com o miriti”, afirmou Márcio.

A arte educadora Mônica Pinheiro destacou o processo de educação ambiental que vem aprendendo durante a oficina. “Aqui temos aula de educação ambiental. Usamos a goma para a colagem e o miriti. Eu trabalho com desenho, pintura e colagem, e com essa experiência com o miriti quero levar essa técnica para as crianças”, disse Mônica.

Como resultado da oficina, os alunos vão produzir em torno de 17 bois juninos com o miriti. O instrutor Bruce Macedo informou que 14 desses elementos juninos vão integrar o Arraial Junino da Fundação Curro Velho.

Leveza - Ele explicou o diferencial do boi junino feito com a tala do miriti. “É um boi diferenciado, porque os outros bois são feitos com ferro e madeira. A estrutura feita com miriti nos dá leveza, baixo custo e funcionalidade. O tripa (pessoa que dança embaixo do boi), ao invés de sofrer com o peso para animar a festa junina, também se diverte. Ele terá um boi leve, e poderá interagir com a peça que está carregando”, acrescentou.

Bruce Macedo disse ainda que todo o material usado na produção do boi junino obedece aos conceitos de sustentabilidade. “Usamos, além do miriti, a goma de tapioca, saco de cimento, esponja, revista e jornal. São materiais de baixo custo e uso sustentável”, concluiu.

(Ag. Pará)
http://www.diarioonline.com.br/noticia-205422-oficina-ensina-a-fazer-boi-com-fibra-de-miriti.html

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